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O que são os (as) Caboclos (as)!


Nas religiões de matrizes africanas, em específico, nas Umbandas, Juremas e "Candomblés de caboclos", os caboclos são entidades reverenciadas. Caboclos(as) são entidades/espíritos/encantados da natureza com características dos habitantes de antigas etnias indígenas que habitaram o Brasil e a América na época da colonização. No caso da Umbanda, dentro de suas falanges, aludindo ao falangeiro, como exemplo, na linha de Oxóssi o caboclo "sete flechas". Nos candomblés, sobretudo, de nação Angola os/as caboclos/as são reverenciados como os "donos da terra", encantado na força de um Inksi/Orixá como o "caboclo pedra-preta" - foi uma das entidades do babalorixá João da Golmea.

"Giras de caboclos (as)"
As giras e festas de caboclos/as são recheadas de cantigas, algumas em português, com elementos da língua tupi e bantu; bebidas da entidade e dança. Quando incorporados trazem arquétipos de antigas comunidades indígenas, dançando com lanças, flechas, soltando brados fortes, assoviando como pássaros e descarregando o ambiente. Nos candomblés há uma divisão entre: "caboclos (as) de pena" e "caboclos (as) de couro". Os primeiros aludem ao estereotipo indígena brasileiro, enquanto o último traz o arquétipo do bravo homem do campo, cultuado na Umbanda como "boiadeiro (a)."

Nomes de alguns caboclos (as)
Há nomes aludindo a língua tupi como "caboclo tupinambá". Há nomes aludindo aos elementos da natureza como "caboclo (a) do sol". Há nomes aludindo a elementos que remetem ao indígena como "caboclo pajé" ou "seu sete lanças". Há nomes aludindo aos animais como "caboclo cobra-coral". Há nomes aludindo a lugares espirituais ou plantas/natureza como a "cabocla jurema", e etc.

O dia do índio na escola e a entidade caboclo (a): 
O "dia do índio" nas escolas parece incoerente, pois as crianças aprendem sobre um índio que nem brasileiro é (apaches), e saem dançando sem saber o quê de modo estereotipada e ingênua, crendo que estão comemorando os indígenas. Sendo assim, uma aula sobre os (as) caboclos (as) na Umbanda ou nos "Candomblés de caboclo" ou na Jurema/Catimbó seria mais produtivo do que esse dia do índio descontextualizado. Pois nessas religiões a identidade do (a) caboclo (a), por mais que em alguns casos carrega-se estereótipos, por outro lado, revela as fortes relações de algumas etnias bantus e indígenas no Brasil, assim como a cultura europeia é bastante presente na Jurema, aludindo aos príncipes. Todavia, não defendo a mestiçagem (indígenas, negros/as e brancos/as) como identidade brasileira no sentido dado pelo mito da democracia racial, mas sei da contribuição dessas culturas para formação do Brasil. Os indígenas aprenderam a resinificar sua cultura para sobreviver, assim o/a negro e o branco/a, sem falar nos orientais, árabes que aqui se encontram...nesse caso, o/a caboclo, apesar de arquétipos, traz em sua aldeia/gira uma forte marca do que é ser Brasileiro de Terreiro.
"O meu pai é brasileiro, minha mãe é brasileira
mas o que é que eu sou?
Sou brasileiro imperador!"
Okê caboclo! Xeto marrobanxeto!

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