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Iemanjá (Iyemonjá)


Seu nome deriva do yoruba: Iyé Iyé (mãe) omo (filho) ejá (peixe): "Mãe dos peixes". Iyemonjá  é um Orixá, conforme a lenda yoruba (itan), filha do "Senhor dos Oceanos" - Olokun (Olóòkun). Alguns estudiosos dizem ser Olokun o oceano propriamente dito. Ressalto a origem do culto a esta Iyaba em alguns lugares na Nigéria,  marcada pelos rios Yemonja em Ibadan e, mais adiante, no rio  Ogun em Abeokutá. Na atualidade o Ìsèse ou Èsìn Ìbílè Yorùbá  (Religião tradicional yoruba),  raiz dos candomblés brasileiros, mantém vivo este culto na Nigéria.
           
Iemanjá nos candomblés  brasileiros

Nos candomblés esta divindade é tida como o Orixá feminino marcada  por qualidades de uma mãe acolhedora. Iyá Ori (mãe da cabeça), pois em diversas lendas (itans) mostram-se Iemanjá como mãe de quase todos os Orixás. "A mãe simbólica da humanidade", pois há relação com água, com o ventre da mulher, com o colo, aconchego e etc. Uma grande Iyagbá (mãe ancestral); Orixá singular, erú Iyá, odó Iyá!

Iemanjá nas Umbandas

Nas umbandas esta divindade é representada aludindo a grande Mãe dedicada a proteção dos (as) filhos (as). Rege, segundo os umbandistas, na força do mar. Gosta de flores, perfumes, búzios e carinho depositado a beira-mar. Iemanjá é a "santa universal" nas casas umbandistas, irradiando a linha das Caboclas d´gua, das sereias Janaínas. Rege a linha de Marinheiros - espíritos que manifestam com arquétipos de pescadores ou homens e mulheres do cais/mar. Iemanjá, talvez, seja o ímpeto do (in) consciente onde reside o "porto seguro" da humanidade: A grande mãe. Talvez, por isso, sua associação a Nossa Senhora, sincretizada como Nsra dos navegantes, Nsra Aparecida, Nsra das Candeias e etc.

Iemanjá no Brasil

Assim como nos candomblés, umbandas e outras matrizes religiosas africanas (afro-brasileiras), Iemanjá está presente também, de modo especial (geral), no Brasil. Tanto é que conseguiu um dia próprio para sua festa, independente, dos seus dias, festas, giras e xirês nas casas de Axé. O dia 2 de fevereiro passou a ser consagrada a esta divindade, que hoje no Brasil é praticamente uma Santa. E como toda Santa, tem seus devotos. Em suma: Iemanjá, por mais que é oriunda da Nigéria, construiu suas particularidades no Brasil, tornando, neste processo de ressignificação, uma legítima divindade brasileira. Axé!




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